PRÊMIO ENERGISA ARTES VISUAIS

Energisa

AoLeo

Rio de Janeiro-RJ, 1983. Vive e trabalha no Rio de Janeiro-RJ.

Licenciatura e bacharelado em Artes Plásticas (UERJ, 2004-2009); Programa Aprofundamento (EAV Parque Lage, 2008-2009). Participou de exposições e feiras: ArteForum (UFRJ); Arte BA (Buenos Aires); SPARTE; Residência Interações Florestais (Funarte, Terrauna); Experimentações (Galeria Progetti); Olheiro da Arte.

Proposta selecionada:
Elementos (da série Exercícios de reflexão), Fotografia, 2011
Desdobramento de uma pesquisa que consiste em fotografias com espelhos. O trabalho insere o corpo na paisagem e a paisagem no corpo através de um jogo de reflexão.


Prudência

Por Raphael Fonseca

As bordas de uma imagem fotográfica e as linhas que contornam os espelhos: polígonos. No seu entorno, dois elementos cujo domínio pelo viés da geometria foi tentado à exaustão em séculos de produção de imagens: o corpo humano e a paisagem. Se em sua autoimagem o artista se encontra parcialmente “ao léu”, desnudo, o mesmo não pode ser dito quanto à sua proposta poética.

A experiência fenomenológica do indivíduo com a natureza e seu fugidio reflexo são transformados em imagens estáticas. Toda fotografia e todo espelho são propositores de mediação, duplo e metade, imitação e distorção; o simulacro aqui se dá de modo inevitável. E seria possível apreender a existência de modo não instrumentalizado?

A prudência, tida desde a Antiguidade como a mãe das virtudes, possui a iconografia de uma mulher que se observa em um espelho. Mais do que uma vaidosa autoavaliação, esse ato poderia ser prolongado como uma reflexão sobre nossas atitudes e o mundo – “remete às coisas passadas, ordena o presente e prevê o futuro”, diz Cesare Ripa.

A pesquisa artística de AoLeo pode, portanto, lançar questão semelhante: existiria um modo prudente de nos relacionarmos com a “natureza”? O quanto de nós mesmos, projeção de carne e ossos, existe dentro da construção deste amplo conceito entre aspas? Por fim, até que ponto toda paisagem não é, na verdade, um autorretrato?



Chico Dantas

Santa Luzia-PB, 1950. Vive e trabalha em João Pessoa.

Estudou Pedagogia e Educação Artística na UFPB. Frequentou workshops e oficinas: (Usina Cultural Energisa, NAC/UFPB). Exposições selecionadas: Setembro fotográfico (Funjope, João Pessoa); O costume de Chico Dantas (Usina Cultural Energisa); Alquimia com livro e luvas [vídeo] (XV Bienal de Cerveira, Portugal); Área de risco (Cooperativa Árvore, Porto, Portugal); Execução sumária [instalação] (III Bienal de Gravura/ Fenart, João Pessoa); XVI Bienal Internacional de São Paulo/ Núcleo Walter Zanini (1981).

Proposta selecionada:
Terceiros, vídeo e fotografia, 2011
Vídeo criado a partir de imagens captadas na Internet e re-editadas, que mostram políticos envolvidos em cenas de corrupção, delinquentes capturados pela polícia e cenas do abate de um porco. Fotomontagens digitais em papel fotográfico plastificadas, que simulam documentos de identidade dos indivíduos, criadas a partir de frames do vídeo e da imagem de um rótulo de embalagem para ração animal, instalados na posição vertical ao lado da projeção do vídeo.


Terceiros

Por Chico Dantas

A descaracterização da identidade de imagens apresentadas pela mídia, que recebem tarjas e outros métodos de camuflagem como forma de proteção da privacidade, coloca outras pessoas como suspeitas das imputações daqueles indivíduos representados. A redução da iconicidade gerada por esse tratamento que embrulha a imagem exime a pessoa que é imputável e passível de identificação no meio social, e expõe o indivíduo – o exemplar de uma espécie qualquer – que pode confundir-se com terceiros por via das eventuais aparências materiais. Nesta separação, a imagem do indivíduo é também, em certo grau, a representação da matéria, que tem nos componentes químicos as referências universais para identificação. Portanto, onde se vêem as imagens de corpos não identificados, impessoais, vejam-se todos os seres compostos de cálcio, fósforo, ferro, potássio, sais minerais, extrato etéreo, umidade, sais minerais... que igualmente identificam-se aqui pela apropriação dos rótulos das embalagens de ração animal.


http://sites.google.com/site/wwwchicodantas/home



Júlio Leite

Campina Grande-PB, 1969. Vive e trabalha em Campina Grande.

Bacharelado em Jornalismo (UEPB, 2000). Estudos na Escolinha de Arte do Recife (1987-88); e, MAC Olinda. Professor da UFCG (Campina Grande, 2002-2005), onde se dedica à pesquisa e orientação de projetos em arte urbana, vídeo, fotografia, arte e tecnologia. Exposições selecionadas: Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco (1989); Salão de Arte Pará (Belém, 1999 e 2008); Projeto Prima Obra (Sala Guimarães Rosa/ Funarte Brasília, 2001); Experimental (Centro Cultural Dragão do Mar, Fortaleza); Projeto Artista Invasor (Centro Cultural Dragão do Mar, 2006); Atos visuais (Funarte Brasília, 2006); Fora do eixo (Brasília, 2009); X Bienal Internacional de Havana (2009); V Bienal Internacional Vento Sul (Curitiba, 2009); Vídeo Urgente (Galeria Cilindro); Residência Artística FAAP (São Paulo); Indicado ao Premio PIPA (MAM-Rio de Janeiro).

Proposta selecionada:
Sala de reforma, Site specific, 2011
Simulação – usando o conceito de simulacro, de Jean Baudrilard – em que utiliza elementos da construção civil para envolver um ambiente com tal aspecto. Fotografias de tijolos, pregos, restos e entulhos de construção (madeira, concreto, cimento, areia) e um híbrido sonoro composto por marretadas, marteladas, furadeiras, britadeiras são utilizados para formatar o ambiente da simulação.


Sala de Reforma – Por uma ordem aleatória

Por Raphael Fonseca

“A cidade favorece a arte, é a própria arte” (Argan)

Quando Argan aborda a cidade como obra artística pode-se encontrar variáveis desse processo em toda sua malha construtiva e de vários elementos sígnicos. A cidade, sem dúvida, é reflexo de um contexto pluralizado, diverso e presumivelmente edificado para abrigar o homem e suas necessidades. A referência que busco na cidade é a casa, seus cômodos e meios técnicos que me serviu de observação para execução de um projeto de Residência Artística na Fundação Armando Álvares Penteado [FAAP], na cidade de São Paulo. Compreender esse universo foi um desafio contextualizado em um referencial teórico que, além de Argan (História da Arte como História da Cidade), acumularia também Bachelard (Poética do Espaço) e as divisões simbólicas dos cômodos das casas, além do principal fenômeno de contextualização desse meu trabalho composto pela conexão de Jean Baudrilard (Cultura e Simulacro) via conceito de simulacro.

Simulação e imitação são coisas distintas nessa órbita teórica. A obtenção de um simulacro requer, segundo Baudrilard, elementos reais e hiper-reais compondo a área da simulação. Tal fenômeno estabelece um leque de efeitos capaz de tornar a comunicação entre as partes algo surpreendentemente reconhecível no campo da nossa percepção. A estetização dos elementos da construção civil (tapumes, cimento, metralha, brita, areia etc.) se contrapõe aos elementos hiper-reais (fotografias de tijolos que formam uma parede e um híbrido sonoro reproduzindo sons de martelo, furadeira, britadeira, pá, serra e outros instrumentos). Essa fusão de elementos é fecunda e fundamental para caracterização da obra. A importância destas pistas-falsas nada mais é do que a legitimação da veracidade da obra. Busco sistematizar esses signos conforme as dimensões e características do ambiente a ser ocupado, gerando a possibilidade de empreender uma intervenção que estará sempre aberta para novas possibilidades de execução, característica esta que pode ser enquadrada na nomenclatura de work in progress.


http://www.flickr.com/galeriacilindro

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